O fim de semana passado (de 17 a 20 de Set 09) fui para o Lobito e Benguela.
Fui com o meu amigo e colega Luís Marcos.
Saímos de Luanda às 6h da manhã e chegamos ao Lobito às 12h.
Para baixo fomos admirando as bonitas paisagens.
Gostei sobretudo da paisagem junto aos rios e admirei o contraste entre a vegetação e as montanhas inóspitas!
Já conhecia o percurso até Cabo Ledo.
A partir daí tudo era novo para mim!
Paramos no Sumbe e tomamos o pequeno-almoço num bar de praia. Percebi no regresso que não era aí o centro do Sumbe.
Depois passamos Porto Amboim e outras pequenas povoações.
Havia muito polícia na estrada (operação das festas so Sumbe que se realizaram no passado fds).
Depois passei por vários rios e fiquei admirado com a "passagem" no Kicombo. No regreso parei e conto mais adiante.
Chegamos ao Lobito e a entrada é penosa e está em muito mau estado.
Liguei para a minha mãe a dar a notícia: estava a entrar no Lobito. A ultima vez que tinha entrado por estrada tinhas sido nos anos 70! Há quase 40 anos! Não ia ao Lobito e a Benguela desde 91/92 e dessa vez em trabalho e apenas para visitar a LUPRAL. Pouco vi e revi.
Dirigimo-nos para a Restinga e para a zona onde íamos ficar. Junto ao "triângulo". Já em 91/92 tinha lá ficado.
Largamos as "imbambas" e fomos até ao Zulu (bar no fundo da Restinga).
Vi a casa do Velho Leitão (Despachante do Lobito que estava em Angola desde o tempo do Gen Norton de Matos), onde passei algumas férias nos anos 60 e 70! Ainda está pintada (repintada) de "rosa".
Hoje não me parece a grande casa de antigamente. Questões de "escala" e de actualidade.
Almoçamos no Zulu e "jiboiamos" por lá!
Comi um bom prego no prato e deliciei-me com a paisagem! Pela "conta" percebemos que era tudo muito mais barato, comparativamente com Luanda! Metade do preço! Uma água custava 100 Kz! Almoçamos por 2.000 Kz/pessoa!
Não levavamos fato de banho e por isso não "mergulhamos". O tempo tb não estava famoso e por isso tb não perdemos nada.
Depois fomos para Benguela.
Passamos na nova ponte da Catumbela. A estrada (auto-estrada) está optima. Só na saída do Lobito ainda não está concluída.
Chegamos a Benguela e demos uma volta pela cidade.
Fiquei admirado com a beleza da cidade.
Tudo muito calmo. Pessoas civilizadas. Nada de confusões.
Fomos "parar" ao "porta-aviões". Sentamo-nos na esplanada. O Dono (Gerente?) é um "branco".
Pelos vistos a minha mãe já por lá andava aos 6/7 anos de idade! Deve ser uma construção da década de 40 (pelo menos).
Revi a cidade toda e voltamos ao Lobito.
Jantamos no Términus com uns amigos e colegas da empresa que tinham chegado ao Lobito nessa tarde.
Foi fantástico rever o Hotel. A minha 1ª. fotografia neste hotel data de Out de 64 com apenas 1,5 anos!
Foi muito emotivo revê-lo! Está muito bem arranjado e só não gostei dos cerâmicos e dos vasos nos corredores!
Vi-me com 7 a 11 anos a correr por ali ... a saír dos quartos e a ir para a praia. Era liberdade pura!
Depois do jantar (que foi baratíssimo) fomos dar uma volta a pé e para o lado da baía. Vimos o Tamariz e revi o pontão onde tantas vezes pescamos (peixe-espada e garoupa).
No Tamariz funciona um restaurante meio "piroso". A vista é linda ... virado para a baía.
Deitamo-nos cedo porque o dia tinha sido cansativo e tinha feito 500 km!
Ia colocando as fotografias no Facebook e enviando aos meus pais e irmãos.
No dia seguinte levantei-me cedo e voltei ao Terminus! Queria tomar o pequeno-almoço mas já tinham encerrado! Voltei a fotografar tudo. Tirei fotografias nos chuveiros onde tenho umas fotografias em 70 (com 7 anos).
Depois fomos para Bengela.
Nova volta na cidade.
Fui descobrir a Igreja do Pópulo, a Sé, o Colégio das Madres e andei à procura da firma M Nunes de Freitas de uns tios avós ou bisavós e onde trabalhou o meu avô materno em ~ 1939/40.
Não consegui encontrar mas hoje sei que andei lá perto (seguindo as indicações de um comerciante mais velho).
Admirei o Mercado que está pintado numas cores "horríveis" mas que é bonito. Tipo Mercado do Kinaxixe, mas mais pequeno. No Lobito tem um igual. Pensa-se que o projecto possa estar "ligado" (da "escola") ao grande Arqº. Vasco Vieira da Costa (que pensou o Kinaxixe) e que era tio avô da minha namorada.
Depois dirigimo-nos para Sul e fomos á Baía Azul e Baía Farta. Unica desilusão que tive. Sempre ouvi falar maravilhas e achei as praias absolutamente normais, desabrigadas e desprotegidas.
Não fui à praia da Caotinha porque o caminho não estava bom e pensei que fosse do mesmo género! Parece que é melhor e mais bonita segundo a minha mãe.
Regressamos a Benguela e fomos "jiboiar" para o Porta-Aviões!
Bebemos umas cervejas, comemos uns tremoços e amendoins e comemos um "pica-pau".
Voltamos ao Lobito para descansar.
À noite fomo novamente para Benguela. Dada a hora avançada jantamos no Chinês (em frente ao Cinema Kalunga) e fomos fazer horas para o Porta-Aviões.
Fomos à Discoteca "Tchirinawa". 2.000 Kz. O ambiente era giro. Havia pessoas giras e outras menos giras. Mas deu para dançar um pouco. Muito Kizomba que eu não danço nem estava com a minha "dama".
Fomos deitar-nos ás 5 da matina. Passamos ainda no Dominó mas o porteiro não nos deixou entrar sem pagar. Fechava á 5 e queria que pagássemos 2.000 Kz! Confiançudo, o gajo!
continua .....
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Recomeço de uma história perdida ...
Há muitos anos o meu avô paterno decidiu vir para Angola.
Tinha apenas 12 anos quando veio (1922), no barco a vapôr para "Loanda", onde tinha um irmão mais velho a trabalhar. Aos 15 anos foi, mais uma vez de navio a vapôr (no Beira), para Benguela. Para tal foi-lhe passada a guia nº. 33 passada pela Administração do Concelho de Loanda, não datada mas que refere ter a idade de 15 anos, por isso terá sido em 1924/1925.
Daí terá ido para as proximidades da Caála. O meu pai nasceu então na Caála (a minha avó terá sido levada de tipóia do "mato" para a Caála para ter o filho).
Depois estabeleceu-se na cidade de Nova Lisboa (Huambo até 1926), onde residimos todos até 1975.
"Forçados" a saír a 11 de Março de 1975, fomos para a "nossa terra" - Portugal.
Por lá andei até 1988, ano em que concluí os meus estudos e prontamente me voluntariei para voltar à "minha terra", desta feita como coperante e já pai de uma menina de 3 meses.
Por cá trabalhei até 1992 (30 de Out de 1992).
Mas como bebi água do Bengo e mais ainda do Kuando voltei.
Há coisas na vida que não conseguimos mudar ... o "rio" é para ali que corre e não vale a pena querer pô-lo a "correr" ao contrário. Não temos "força" para pegar na "bola" e virá-la para outro lado. Ela não é um "balancé". Nós é que somos os peões dela e da vida.
Muita coisa hei-de contar neste "bocado de ecrã".
Vivências passadas, presentes e futuras.
Vamos ver o que vai ser e como vai ser, mas há-de ser.
Estamos juntos ...
Tinha apenas 12 anos quando veio (1922), no barco a vapôr para "Loanda", onde tinha um irmão mais velho a trabalhar. Aos 15 anos foi, mais uma vez de navio a vapôr (no Beira), para Benguela. Para tal foi-lhe passada a guia nº. 33 passada pela Administração do Concelho de Loanda, não datada mas que refere ter a idade de 15 anos, por isso terá sido em 1924/1925.
Daí terá ido para as proximidades da Caála. O meu pai nasceu então na Caála (a minha avó terá sido levada de tipóia do "mato" para a Caála para ter o filho).
Depois estabeleceu-se na cidade de Nova Lisboa (Huambo até 1926), onde residimos todos até 1975.
"Forçados" a saír a 11 de Março de 1975, fomos para a "nossa terra" - Portugal.
Por lá andei até 1988, ano em que concluí os meus estudos e prontamente me voluntariei para voltar à "minha terra", desta feita como coperante e já pai de uma menina de 3 meses.
Por cá trabalhei até 1992 (30 de Out de 1992).
Mas como bebi água do Bengo e mais ainda do Kuando voltei.
Há coisas na vida que não conseguimos mudar ... o "rio" é para ali que corre e não vale a pena querer pô-lo a "correr" ao contrário. Não temos "força" para pegar na "bola" e virá-la para outro lado. Ela não é um "balancé". Nós é que somos os peões dela e da vida.
Muita coisa hei-de contar neste "bocado de ecrã".
Vivências passadas, presentes e futuras.
Vamos ver o que vai ser e como vai ser, mas há-de ser.
Estamos juntos ...
Subscrever:
Mensagens (Atom)